“O PT QUEBROU O BRASIL E ESTÁ QUEBRANDO UBERLÂNDIA”

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“O PT QUEBROU O BRASIL E ESTÁ QUEBRANDO UBERLÂNDIA”

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O ex-prefeito de Uberlândia e deputado federal pelo Partido Progressista (PP) Odelmo Leão Carneiro culpa o PT pela crise política e econômica do país, se diz favorável ao impeachment da presidente Dilma, solta o verbo contra o seu sucessor na Prefeitura de Uberlândia, Gilmar Machado, e deixa no ar a possibilidade de ser candidato a prefeito em 2016.                Por Evaldo Pighini

 

Ex-prefeito de Uberlândia, segunda maior cidade de Minas Gerais, ocupou o cargo por dois mandados seguidos (2005/2012) e, atualmente, deputado federal pela quinta vez, Odelmo Leão Carneiro (PP) é um político muito querido no município onde foi prefeito e respeitado pelos colegas de partido em Brasília. Como prefeito de Uberlândia, entregou o cargo ao seu sucessor, Gilmar Machado (PT), com mais de 95% de aprovação popular do seu Governo. Como deputado, foi líder do PPB – hoje PP – por oito anos consecutivos, fato inédito na Câmara dos deputados e, em quase duas décadas de atuação no Congresso Nacional, se destaca como um dos parlamentares mais influentes em articulações políticas e pela participação em Comissões Técnicas da Câmara, além de outras comissões regimentais, entre outras atuações. Em entrevista exclusiva à Revista TRIBUNA, Odelmo Leão analisa o conturbado momento político e econômico que o Brasil atravessa, colocando o Partido dos Trabalhadores (PT) como principal responsável pela crise instalada no país; se posiciona favorável ao impeachment da presidente Dilma; se mostra contrário à volta da CPMF e ao aumento de impostos; diz que o ex-presidente Lula interfere demais nas decisões do Palácio do Planalto e tacha o modelo de governar petista de “esquerdismo autoritário, retrógado e oportunista”. Sobre possível candidatura à Prefeitura de Uberlândia, em 2016, Leão não assume nem descarta a possibilidade, mas diz que o futuro a Deus pertence. Ele aproveita para fazer duras críticas a seu sucessor Gilmar Machado, acusando o atual prefeito de ter falido o município e classifica a sua administração como um desastre e que falta gestão pública. Diz ainda que “propalada contribuição” de Gilmar para Uberlândia, como deputado federal, não passa de “uma lenda urbana, uma falácia”. Confira a seguir a íntegra da entrevista de Odelmo Leão à Revista TRIBUNA.

 

TRIBUNA – Deputado Odelmo Leão, como o senhor vê o atual momento de crise política e econômica do país?
ODELMO – A crise é de um modelo econômico e político ao qual o país está submetido desde a subida do PT ao poder. Um modelo de populismo econômico e populismo político em que a irresponsabilidade levou nosso país ao fundo do poço.

 

TRIBUNA – No contexto político, essa crise tem solução?
ODELMO – Na vida, para quase tudo há solução. Mas com a presidente Dilma no poder, a crise vai continuar até as próximas eleições, em 2018. Com a saída da presidente, pelo impeachment, começa o início de uma solução política. Mas a crise econômica vai gastar muito tempo, uns dez anos, para o país voltar a crescer e se desenvolver. Estamos passando por um processo de desindustrialização e a recuperação vai demorar.

 

TRIBUNA – Na economia, há alguma coisa que a Câmara dos Deputados possa fazer para que o país saia do buraco e volte a crescer?
ODELMO – A Câmara tem um papel de contrapor-se ao autoritarismo econômico do Planalto. De contrapor-se às medidas populistas de gastos irresponsáveis do Governo. E ficar firme para que não aumentem impostos ou imponha novos, como a CPMF; votar medidas que crie um ambiente de economia estável e de políticas que gerem empregos.

 

TRIBUNA – Recentemente, o relator da Operação Lava Jato, no Supremo Tribunal Federal, ministro Teori Zavasck, afirmou que “o pior está por vir”, referindo-se aos parlamentares envolvidos no escândalo. Em seu quinto mandato como deputado federal, esse é o pior Congresso do qual o senhor participou?
ODELMO – Cada momento da história é diferente. Mudam-se os tempos, mudam-se os homens. Na época da pós-ditadura, era um tempo de reconstrução das instituições e da democracia. Depois veio o Plano Real de reconstrução econômica e, agora, vivemos o populismo e a corrupção patrocinada pelo Executivo Federal. A Câmara é reflexo da cada momento e de cada época da história política.

 

TRIBUNA – O que o senhor tem a dizer sobre as “pedaladas fiscais” da Presidente Dilma Rousseff?
ODELMO – Faço coro com o TCU, que condenou as irresponsabilidades da presidente Dilma, que cometeu crime de responsabilidade ao descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal.

 

TRIBUNA – Com o acolhimento do pedido de impeachment pela Câmara, a presidente Dilma corre o risco de perder o mandato? O senhor é contra ou a favor do impeachment da Presidente?                                     ODELMO – Corre risco, sim. Mas se não houver pressão das ruas, se o povo não sair às ruas para mobilizar a opinião pública em todo o país, o jogo de barganhas inconfessáveis do Executivo pode manter Dilma no poder. Aí, é mais crise até 2018. Sou a favor do impeachment para o país sair da crise.

"Vivemos o populismo e a corrupção patrocinada pelo Executivo Federal"

“Vivemos o populismo e a corrupção patrocinada pelo Executivo Federal”

TRIBUNA – Nunca um ex-presidente opinou tanto no mandato de um seu sucessor como o Lula tem feito com a presidente Dilma. Como o senhor avalia esse fato?
ODELMO – É uma questão de ego expandido do Lula. Freud explica. O ex-presidente se acha o maior homem do país, que pode mandar em tudo, fazer acordos políticos e comerciais usando sua influência sobre uma presidente fraca, escolhida por ele talvez por isso mesmo. E se dá o direito de opinar sobre tudo sem ser questionado, mas quando é questionado sobre os inúmeros escândalos de corrupção do seu Governo e do seu partido, foge dizendo que “não sabia”. Sem dúvida, não é uma postura digna de um ex-presidente.

 

TRIBUNA – O senhor faz parte de um partido da base aliada do Governo Federal, mas adotou postura neutra em relação a esse conchavo. Por quê? O senhor acha que a situação atual do país se deve a erros cometidos pelo PT com o apoio da base aliada?
ODELMO – O PT está errando na condução do país desde que assumiu o poder. Impôs uma agenda populista em vez de fazer as reformas de base. Preocupou-se em gastar o dinheiro para comprar votos e o apoio popular em vez de construir uma estrutura e uma política de produção de riqueza e desenvolvimento sustentável. O modelo petista é o populismo sectário e arrivista que se traduz num esquerdismo autoritário, retrógado e oportunista. Fui candidato a deputado federal com o compromisso de lutar por um Brasil decente, portanto, meu compromisso maior não é seguir as diretrizes partidárias, mas com o bem da nação.

 

TRIBUNA – O seu partido, o PP, é um dos que aparece no escândalo da Lava Jato. Isso não prejudica sua imagem política e eleitoral?
ODELMO – Ajudei a fundar o PP, juntamente com outros políticos sérios e responsáveis, e fui, durante oito anos, o líder do Partido na Câmara quando aprovamos o Plano Real e as ações de estabilização da economia. É nessa história e nesse legado do PP ao país que me baseio hoje. O partido, porém, foi tomado de assalto por gente, por políticos que não têm compromissos com os princípios que nortearam a sua fundação. Minha atitude partidária tem sido de contestar a cúpula do partido e sua prática de alinhamento com o Planalto. Resguardo a minha imagem política, trabalhando para construir um Brasil decente.

"Nossa cidade, infelizmente, também está submetida à incompetência de uma gestão petista"

“Nossa cidade, infelizmente, também está submetida à incompetência de uma gestão petista”

TRIBUNA – O senhor será candidato a Prefeito de Uberlândia nas próximas eleições?
ODELMO – No momento, meu compromisso é o de trabalhar para salvar o nosso país dos desmandos do PT.  Nossa cidade, infelizmente, também está submetida à incompetência de uma gestão petista. Mas como tenho dito sempre, neste momento, estou completamente focado na minha atuação parlamentar. Temos vivenciado uma crise histórica, estamos em meio ao processo de impeachment de uma presidente da República. Por todos esses fatores, o assunto eleitoral tem que ficar em segundo plano para o bem da Nação. Eleição é só o ano que vem.

 

TRIBUNA – Se o senhor for candidato, e se for eleito, como será governar Uberlândia com o PT nos Governos Federal e Estadual, isso caso, o impeachment da presidente acabe em pizza?                                                                                    ODELMO – Como disse antes, esse tema é secundário diante da crise institucional que temos vivenciado. Mas o Governo Federal tem responsabilidades federativas com todos os brasileiros. É inadmissível a discriminação político-partidária que venha sacrificar o povo de uma cidade. E não seria uma situação nova para mim, porque tivemos o PT no Governo Federal durante os meus oito anos como prefeito. Mas a grande força de nossa cidade é o nosso povo, das mulheres, dos trabalhadores, dos empresários, dos jovens, das donas de casa.

 

TRIBUNA – Como o senhor avalia a administração do Prefeito Gilmar Machado?
ODELMO – A mesma avaliação do povo de nossa cidade: um desastre! Falta gestão pública. Ele acabou com o Sistema Público de Saúde, sucateou o Hospital Municipal, destruiu as UAIs, traiu a população acabando com programas de saúde bem-sucedidos por mera perseguição política; não avançou na educação, com problemas desde a merenda até o transporte escolar; sacrificou a área social; não paga os servidores em dia; está quebrando a Prefeitura com um déficit estrondoso de caixa, falta de pagamento a fornecedores e ainda endividou o município de forma irresponsável. O PT se repete em todo o Brasil com as mesmas práticas de desgoverno, aparelhamento da máquina pública por interesses políticos, escândalos e falta de gestão. E quem sofre com tudo isso é a população.

 

TRIBUNA – O Prefeito Gilmar Machado, enquanto deputado, contribuiu muito com Uberlândia, isso é fato. Como prefeito, onde ele errou ou está errando?
ODELMO – Como deputado, sua propalada contribuição com Uberlândia não passa de uma lenda urbana, uma falácia. Não trouxe recursos para a Prefeitura Municipal de Uberlândia. Ele se apoderou de algumas obras rodoviárias do PAC e as rotulou como sendo suas. Como Prefeito, tive que gastar dinheiro do município para desapropriar áreas para que as obras do PAC fossem feitas. Seu erro é não saber administrar, não conhecer gestão pública e não falar a verdade para a população.

 

TRIBUNA – Nas próximas eleições ficam proibidas as doações de empresas às campanhas eleitorais. Como possível candidato, como o senhor avalia essa decisão?
ODELMO – Avalio de maneira negativa. As empresas e os empresários não são os responsáveis pela corrupção eleitoral, nem pela corrupção na administração pública. Por outro lado, sempre fiz campanhas modestas, com poucos recursos em relação a outros candidatos. Os apoios que sempre tive, espero continuar a tê-los, pois sempre procurei honrar os meus mandatos, meus eleitores e meus apoiadores com um trabalho sério e responsável.

 

TRIBUNA – Com essa decisão, sobre doações, como o senhor acha que vão ser as próximas eleições?
ODELMO – Vão ser eleições mais baratas, com menos gastos e menos desperdício de material. Porém deve- se observar que em toda eleição existem candidatos que não podem explicar as origens dos recursos gastos.

 

TRIBUNA – Com doações mais escassas, o senhor levaria vantagem nas próximas eleições por ter deixado a Prefeitura com altos índices de aprovação?
ODELMO – Meu trabalho foi sempre galgado no compromisso que sempre tive com nossa cidade e com o nosso povo. Sempre falei a verdade, não fiz falsas promessas e cumpri com o meu dever de administrar com respeito ao dinheiro público. Tive todas as minhas contas aprovadas pelo Tribunal de Contas e avançamos muito em todas as áreas, na saúde, educação, geração de empregos, unindo desenvolvimento social e desenvolvimento econômico.

 

TRIBUNA – A redução do período de propaganda eleitoral tornam as próximas eleições diferentes das anteriores?
ODELMO – Vai ser um período mais curto, mas o suficiente para levar as propostas e mensagens aos eleitores. Um bom candidato é logo identificado pelos eleitores pelo seu perfil de sinceridade.

 

TRIBUNA – Para finalizar, que recado o senhor gostaria de enviar ao seu eleitorado?
ODELMO – A todo o povo de Uberlândia, deixo um recado de esperança, de que dias melhores virão. Depois da escuridão da madrugada, nasce sempre uma manhã clara e ensolarada! Deus que proteja a todos!

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“Como deputado (Gilmar Machado), sua propalada contribuição com Uberlândia não passa de uma lenda urbana, uma falácia”

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