Propaganda eleitoral já está liberada, enquanto novas regras para internet e inteligência artificial aumentam a responsabilidade de candidatos e eleitores.
As eleições de 2026 entraram em uma etapa decisiva nesta semana. Desde 16 de agosto, candidatas e candidatos podem fazer propaganda eleitoral nas ruas e na internet, apresentar propostas, realizar comícios e utilizar redes sociais dentro das regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral. Ao mesmo tempo, esta quinta-feira, 20 de agosto, marca o fim do prazo para determinados eleitores solicitarem voto em trânsito, uma medida que pode ser decisiva para quem estará fora do domicílio eleitoral no dia da votação. (Justiça Eleitoral)
A mudança mais importante, porém, não está apenas na quantidade de anúncios que o eleitor começará a receber. A campanha de 2026 ocorre em um ambiente político marcado por redes sociais, inteligência artificial, vídeos manipulados e circulação acelerada de informações. A dúvida que surge, portanto, é como o cidadão pode acompanhar a disputa sem confundir propaganda com informação, promessa com política pública e conteúdo produzido artificialmente com registro real de um candidato.
O que muda para o eleitor com o início oficial da campanha
A partir de 16 de agosto, a propaganda eleitoral passou a ser permitida em diferentes meios, incluindo internet, redes sociais, aplicativos de mensagens, sites de candidaturas e eventos públicos. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabelece regras específicas para esse conteúdo, e a propaganda precisa respeitar limites legais relacionados à identificação das candidaturas, divulgação de informações e utilização dos meios digitais. A legislação eleitoral também prevê mecanismos para contestar conteúdos considerados irregulares. (Justiça Eleitoral)
Para o eleitor, isso significa que a quantidade de informações sobre candidatos tende a crescer rapidamente nas próximas semanas. A campanha pode facilitar o acesso a propostas e posicionamentos que antes estavam dispersos, mas também aumenta o risco de o cidadão receber conteúdos fora de contexto ou criados exclusivamente para provocar reação emocional. A própria Justiça Eleitoral mantém iniciativas de orientação sobre desinformação e recomenda que o eleitor verifique informações antes de compartilhá-las. (Justiça Eleitoral)
Outro ponto importante é que o início da campanha não significa que todas as formas de propaganda estejam liberadas indistintamente. Rádio e televisão possuem regras próprias, e a propaganda eleitoral gratuita nesses meios começa somente em 28 de agosto. Além disso, emissoras estão submetidas a restrições específicas desde o início de agosto, incluindo limitações ao tratamento privilegiado de candidatos e à veiculação de propaganda política fora dos espaços autorizados. (Justiça Eleitoral)
Inteligência artificial e desinformação passam a ter peso ainda maior
A eleição de 2026 também será uma espécie de teste para a capacidade do eleitor brasileiro de distinguir conteúdo legítimo de material manipulado digitalmente. O TSE atualizou as regras eleitorais para incorporar medidas relacionadas à inteligência artificial e ao combate à desinformação. As normas procuram estabelecer responsabilidades para candidatos, partidos e plataformas, especialmente diante da possibilidade de criação e disseminação de conteúdos sintéticos ou manipulados. (Justiça Eleitoral)
O problema não se resume às chamadas fake news tradicionais. Um vídeo pode utilizar a imagem ou a voz de uma pessoa real para apresentar uma declaração que nunca aconteceu, enquanto uma fotografia verdadeira pode ser retirada de seu contexto original. Para o eleitor, a consequência prática é que aparência, número de compartilhamentos ou quantidade de comentários deixam de ser sinais confiáveis de autenticidade. A verificação da origem da informação se torna parte importante do próprio exercício do voto.
Nesse cenário, a disputa eleitoral passa a acontecer simultaneamente em dois campos: o político e o informacional. Candidatos precisam apresentar propostas capazes de sobreviver ao escrutínio público, enquanto eleitores precisam avaliar não apenas o conteúdo de uma promessa, mas também sua origem, contexto e possibilidade de execução. A existência de regras eleitorais não elimina a responsabilidade individual de verificar informações antes de compartilhá-las, especialmente porque uma publicação pode alcançar milhares de pessoas em poucos minutos.
O que o eleitor precisa fazer agora até o dia da votação
Além de acompanhar a campanha, o eleitor deve prestar atenção aos prazos que afetam diretamente seu direito de votar. O primeiro turno das eleições gerais está marcado para 4 de outubro, quando serão escolhidos presidente da República, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais. Caso haja segundo turno para os cargos que permitem essa etapa, a votação ocorrerá em 25 de outubro. (Justiça Eleitoral)
Para quem estará fora de sua cidade no primeiro turno, 20 de agosto é uma data especialmente importante. O prazo para solicitar, alterar ou cancelar a habilitação para voto em trânsito termina nesta quinta-feira. O mecanismo permite votar em outra cidade dentro das condições estabelecidas pela Justiça Eleitoral; quando o deslocamento ocorre para outro estado, a habilitação permite apenas o voto para presidente da República. (Justiça Eleitoral)
Há ainda outros grupos que podem solicitar transferência temporária do local de votação, como pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, militares, agentes de segurança e determinados servidores que estarão trabalhando durante a eleição. Para esses casos, alguns prazos e procedimentos são específicos, e o TSE mantém informações detalhadas sobre cada modalidade. (Justiça Eleitoral)
Para além dos procedimentos eleitorais, a principal tarefa do cidadão será acompanhar a campanha com atenção. O calendário mostra que as próximas semanas serão marcadas por aumento da propaganda, início do horário eleitoral gratuito em rádio e televisão e intensificação da disputa política. A eleição, entretanto, não será decidida apenas pela quantidade de conteúdo que circular nas redes, mas pela capacidade do eleitor de comparar propostas, verificar informações e compreender quais decisões dependem do presidente, do Congresso, dos governos estaduais ou dos Legislativos.
A campanha de 2026 começa, portanto, em um ambiente no qual informação e propaganda estarão cada vez mais próximas. O cidadão terá acesso a mais conteúdo sobre candidatos, mas também precisará lidar com maior volume de mensagens, vídeos e interpretações políticas. As regras do TSE estabelecem limites para a disputa, mas não substituem a análise crítica de quem vota.
O próximo marco será 28 de agosto, quando começa a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão para o primeiro turno. Até lá, a internet continuará sendo um dos principais espaços de disputa pela atenção do eleitor. Para quem deseja votar de forma consciente, o período exige menos preocupação com a velocidade das redes e mais atenção à origem das informações, ao conteúdo das propostas e ao que efetivamente pode ser realizado por cada cargo em disputa. (Justiça Eleitoral)
