Os investimentos no Tesouro Direto alcançaram R$ 15 bilhões em agosto de 2026, o maior volume mensal da série histórica do programa. O resultado foi divulgado pelo Tesouro Nacional em 25 de setembro e veio acompanhado de 1.320.001 operações de compra de títulos públicos no período.
O desempenho mostra a continuidade da procura de pessoas físicas por aplicações emitidas pelo governo federal. De acordo com o Tesouro Nacional, o número de investidores ativos chegou a 3.832.453 em agosto, uma alta de 21,7% em 12 meses.
O recorde, porém, precisa ser interpretado com atenção. Embora as compras tenham atingido o maior patamar já registrado, o mês também foi marcado por vencimentos e resgates elevados. Por isso, o resultado líquido das operações não acompanhou o volume bruto de investimentos.
Títulos ligados à Selic lideraram as vendas
Os títulos cuja remuneração está associada à taxa Selic concentraram 46,9% das vendas realizadas em agosto. Nesse grupo estão o Tesouro Selic e o Tesouro Reserva, que juntos movimentaram aproximadamente R$ 7 bilhões, segundo o balanço oficial divulgado pelo governo.
A preferência por esses papéis foi seguida pelos títulos indexados à inflação, que representaram 36,3% das vendas. Esses investimentos combinam uma parcela de juros prefixados com a variação de um índice de preços. Já os títulos prefixados responderam por 16,7% do total comercializado no mês.
A distribuição indica que os investidores dividiram suas escolhas entre diferentes estratégias. Os papéis vinculados à Selic podem ser usados por quem busca acompanhar a taxa básica de juros, enquanto os títulos atrelados à inflação estão relacionados à preservação do poder de compra ao longo do tempo. Nos prefixados, a remuneração é definida no momento da contratação, conforme as condições do título.
As características e os dados históricos do programa podem ser consultados no Balanço do Tesouro Direto, publicado no Tesouro Transparente. A plataforma reúne informações institucionais sobre operações, estoque e movimentações do programa.
Pequenos aportes tiveram participação expressiva
Um dos principais destaques do balanço de agosto foi a presença de aplicações de menor valor. Investimentos de até R$ 1 mil corresponderam a 55,7% das operações realizadas no mês. O dado mostra que o recorde não foi formado apenas por aportes elevados ou por investidores com grandes volumes disponíveis.
Ao mesmo tempo, o valor médio por operação foi de R$ 11.366,43. A diferença entre a média e a predominância de operações de até R$ 1 mil pode ser explicada pela existência de aportes mais altos que elevam o valor médio geral. O indicador, portanto, não representa necessariamente o valor aplicado pela maioria dos investidores.
A quantidade de operações também ajuda a dimensionar o movimento. Foram mais de 1,3 milhão de compras em agosto, distribuídas entre os diferentes tipos de títulos oferecidos pelo Tesouro Direto. O avanço do número de investidores ativos em um ano reforça a ampliação da base de participantes do programa.
Recorde de compras ocorreu com emissão líquida negativa
Apesar dos R$ 15 bilhões investidos, os resgates e vencimentos somaram R$ 17,22 bilhões em agosto. O Tesouro Nacional informou que tiveram destaque os títulos Tesouro IPCA+ com vencimento em 2026, que chegaram ao prazo final ou foram resgatados pelos investidores.
Como os resgates e vencimentos superaram as compras realizadas no período, a emissão líquida ficou negativa em R$ 2,21 bilhões. Isso significa que o estoque financeiro movimentado para fora do programa foi maior que o volume novo aplicado, mesmo diante do recorde no valor bruto das vendas.
Os números revelam duas dimensões diferentes do mercado. De um lado, o programa registrou a maior entrada mensal em compras desde o início da série histórica. De outro, a concentração de vencimentos e resgates alterou o resultado líquido de agosto. Para acompanhar a evolução dos investimentos no Tesouro Direto, é necessário observar os dois indicadores conjuntamente.
O balanço também evidencia a presença crescente do pequeno investidor no mercado de títulos públicos. A combinação entre o aumento da base ativa, a maioria das operações abaixo de R$ 1 mil e a preferência por papéis ligados à Selic ajuda a explicar o perfil do movimento registrado em agosto de 2026.
