Em março de 2004, quando a Fundação Gentil Afonso Duraes incorporou atividades de coral e teatro ao seu conjunto de programas, Eloizo Gomes Afonso Duraes fez uma escolha que dizia muito sobre sua visão de educação. Numa entidade voltada para comunidades vulneráveis, onde a pressão por resultados práticos e imediatos é constante, decidir investir em arte e cultura é um ato de coragem intelectual. É afirmar que crianças pobres também merecem beleza, expressão e criatividade, não apenas competências técnicas que as tornem empregáveis.
O que a arte faz pelo desenvolvimento infantil
A literatura científica sobre desenvolvimento infantil é consistente: atividades artísticas têm impacto mensurável sobre múltiplas dimensões do crescimento cognitivo, emocional e social de crianças e adolescentes. O teatro desenvolve a oralidade, a capacidade de empatia, a habilidade de trabalhar em grupo e a confiança para se expressar publicamente. O coral fortalece a disciplina, a atenção, o sentido de ritmo e o pertencimento a algo maior do que o indivíduo.
Ambas as atividades criam um espaço em que o erro é parte do processo, onde a colaboração é mais importante do que a competição e onde cada criança tem a experiência de ser vista, ouvida e valorizada. Em comunidades marcadas pela vulnerabilidade e pelo anonimato, esse tipo de experiência tem um poder transformador que vai muito além do que qualquer índice de desempenho escolar consegue capturar.

A dimensão emocional que os números não capturam
Eloizio Gomes Afonso Duraes sempre tratou as atividades culturais não como complemento do programa educacional, mas como parte essencial dele. Crianças que participam de coral e teatro desenvolvem maior capacidade de regulação emocional, de resolução de conflitos interpessoais e de construção de relacionamentos saudáveis. Essas são competências que o mercado de trabalho chama de soft skills, mas que são, na verdade, habilidades humanas fundamentais que determinam em grande medida a qualidade de vida e os relacionamentos ao longo de toda a existência.
A decisão de manter essas atividades ao longo de todas as décadas de operação da Fundação, mesmo em momentos de recursos mais escassos, reflete a convicção de Eloizo Gomes Afonso Duraes de que cultura não é luxo. É necessidade básica, especialmente para crianças que vivem em contextos em que o acesso à arte, ao teatro e à música é praticamente inexistente fora dos programas da Fundação.
Arte como pertencimento
Há uma dimensão de pertencimento social nas atividades artísticas que merece ser destacada. Uma criança que canta num coral ou que representa num espetáculo de teatro experimenta algo que vai além da habilidade desenvolvida: experimenta a sensação de fazer parte de algo, de contribuir com sua voz e sua presença para uma criação coletiva. Em comunidades periféricas, onde o sentido de pertencimento à sociedade mais ampla frequentemente falta, essa experiência tem um valor que transcende o artístico.
Para Eloizio Gomes Afonso Duraes, cada apresentação de coral, cada peça de teatro montada pelas crianças da Fundação Gentil é uma afirmação de que esses jovens têm algo a dizer, algo a oferecer e um lugar legítimo no mundo. Essa convicção, expressa através da arte, é talvez o legado mais profundo e mais duradouro que o programa cultural da Fundação deixa em cada criança que passa por ele.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
