O movimento pelo fim da escala 6×1 tem ganhado força nas redes sociais e mobilizado trabalhadores de diversas regiões do Brasil. Idealizado pelo vereador Rick Azevedo (PSOL-RJ), a iniciativa busca encerrar um modelo de jornada de trabalho que impõe seis dias consecutivos de trabalho seguidos por apenas um de descanso. Embora a adesão popular seja evidente, o apoio do governo federal, especialmente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda é um ponto crítico para o avanço da pauta. A falta de diálogo claro por parte do governo tem sido apontada como um dos principais obstáculos para a concretização desse objetivo.
Nos últimos meses, o tema tem sido discutido nas redes sociais, onde se observa um grande movimento de apoio popular. Segundo Rick Azevedo, a força desse movimento tem origem no descontentamento generalizado dos trabalhadores, que se sentem sobrecarregados por uma escala tão exaustiva e desumana. Para Azevedo, a adesão popular ao movimento é um reflexo da luta pela dignidade dos trabalhadores. No entanto, ele destaca que o movimento carece de uma articulação política mais sólida, especialmente com o governo federal.
A iniciativa foi formalizada em fevereiro de 2025, quando a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) apresentou um projeto de lei na Câmara dos Deputados com o objetivo de abolir a escala 6×1. A proposta foi recebida com interesse, mas ainda enfrenta resistência em várias esferas políticas, o que tem dificultado sua tramitação. A deputada Hilton e o vereador Azevedo têm buscado apoio para a proposta junto a outros parlamentares, mas o governo federal ainda não se posicionou de maneira contundente sobre o tema.
Para muitos trabalhadores, a escala 6×1 representa uma realidade cruel e desgastante. Esse modelo, que exige que o trabalhador cumpra seis dias de atividades consecutivas, sem descanso adequado, prejudica não apenas a saúde física e mental, mas também afeta a qualidade de vida das pessoas. A escassez de tempo para lazer, convívio familiar e descanso leva muitos a questionar a sustentabilidade desse tipo de jornada de trabalho no Brasil contemporâneo.
Rick Azevedo, um dos principais defensores do fim da escala 6×1, afirmou em entrevista que a principal dificuldade para o avanço da proposta é a falta de apoio explícito por parte do presidente Lula. Segundo o vereador, um posicionamento mais claro do governo federal poderia fortalecer ainda mais a mobilização popular e garantir que o tema ganhasse relevância nas pautas legislativas. Azevedo enfatiza que a falta de diálogo por parte do governo tem sido um dos maiores desafios para a concretização do movimento.
Embora a resistência política em Brasília seja uma realidade, o movimento contra a escala 6×1 tem ganhado projeção nas ruas e nas redes sociais. A mobilização nas redes, impulsionada pelo descontentamento de trabalhadores, ajudou a dar visibilidade à pauta e a pressionar os representantes políticos. Azevedo destaca que, mesmo diante da falta de apoio do governo, a mobilização popular continua crescendo e se fortalecendo, com cada vez mais pessoas se unindo à causa.
No cenário político atual, o movimento pela mudança na jornada de trabalho enfrenta dificuldades de articulação no Congresso. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já recebeu propostas sobre o tema, mas ainda não há consenso suficiente para avançar na votação do projeto de lei. Mesmo com a resistência, o movimento tem mantido a esperança de que, com o tempo, o governo federal se alinhe com as demandas dos trabalhadores e se posicione de forma mais enfática a favor do fim da escala 6×1.
Com a proximidade do Dia do Trabalhador, o movimento intensifica suas ações e se prepara para uma grande mobilização nacional. Azevedo anunciou que, no 1º de Maio, haverá manifestações em diversas capitais brasileiras, com o objetivo de fortalecer a luta pelo fim da escala 6×1 e torná-la uma das principais bandeiras dos atos. O vereador acredita que essa mobilização pode ser um ponto de virada, ajudando a conquistar mais apoios políticos e, finalmente, colocar o fim da escala 6×1 como uma prioridade nas pautas do Congresso Nacional.
Autor: Yury Pavlov